Rejeitar um pensamento não é o mesmo que ignorá-lo
Fé

Rejeitar um pensamento não é o mesmo que ignorá-lo

"O pensamento que diz que você não é bom o suficiente chega sempre no mesmo momento. A diferença entre discutir com ele e fechar-lhe a porta."

Há um pensamento que chega sempre no mesmo momento. Antes de enviar o trabalho. Antes de dizer o preço. Antes de aceitar o projecto que é maior do que o último.

Rejeitar um pensamento não é o mesmo que ignorá-lo

Ele diz que você não é bom o suficiente.

E a forma como você responde a esse pensamento decide mais sobre a sua carreira do que qualquer curso que faça este ano.

Isso não é humildade

Muita gente confunde as duas coisas. Humildade é saber o tamanho real do que sabe e do que não sabe. É uma avaliação honesta.

O pensamento de que falamos não avalia nada. Ele chega sempre com a mesma frase, independentemente do trabalho estar bom ou mau. Aparece no projecto excelente e no projecto fraco, com a mesma força.

Uma coisa que diz sempre o mesmo não está a avaliar. Está a repetir.

Rejeitar é diferente de ignorar

A reacção comum é tentar ignorar. Fingir que não se ouviu, seguir em frente, trabalhar por cima.

Ignorar deixa a porta aberta. O pensamento fica ali ao lado, e volta mais tarde, normalmente num momento pior.

Rejeitar é outra coisa. É fechar a porta e não entrar na discussão.

Porque discutir com esse pensamento é o erro. Quando você começa a argumentar, a listar provas de que é capaz, já aceitou o enquadramento dele: que a sua competência está em julgamento hoje.

O que fazer na prática

  • Não responda. Repare que chegou, e não entre no assunto.
  • Substitua. Volte ao que já é verdade sobre si: o trabalho que entregou, o cliente que voltou, a coisa que aprendeu a fazer e que há dois anos não sabia.
  • Continue a tarefa. O pensamento perde força com o movimento, não com o argumento.
  • Repare na hora a que ele chega. Quase sempre é no limiar de alguma coisa boa. Isso diz-lhe o que ele está realmente a tentar impedir.

Nem todo o pensamento difícil é inimigo

Convém separar duas coisas, senão a pessoa passa a rejeitar tudo o que incomoda e deixa de aprender.

Há um pensamento que diz "esta parte do trabalho está fraca e tu sabes porquê". Esse é específico, aponta uma coisa concreta, e tem solução. Esse ouve-se, corrige-se e agradece-se.

E há o outro, que diz "tu não és bom o suficiente". Esse não aponta nada, não propõe nada, e não muda quando o trabalho melhora. Esse é o que se fecha à porta.

A pergunta que separa os dois: isto diz-me o que fazer a seguir? Se diz, é informação. Se não diz, é ruído com voz de autoridade.

O que acontece quando a porta se fecha várias vezes

Isto não se resolve num dia. Fecha-se a porta hoje, e amanhã ele bate outra vez.

A diferença aparece ao fim de semanas. O pensamento continua a chegar, mas deixa de mandar. Você repara nele como repara no barulho da rua: está lá, e não altera o que estava a fazer.

É isso o objectivo. Não é deixar de o ouvir. É deixar de lhe obedecer.

O custo de não fazer isto

O medo que você alimenta hoje é o projecto que não entrega amanhã.

Na prática aparece assim: o orçamento que ficou por enviar, o portefólio que nunca está pronto para mostrar, o valor que você baixou antes de o cliente sequer reclamar, a proposta grande que passou para outro porque você demorou a responder.

Nenhuma dessas perdas aparece como medo no fim do mês. Aparecem como falta de sorte, ou como mercado difícil.

Uma nota sobre quem trabalha sozinho

Quem trabalha por conta própria não tem chefe nem colega a dizer que o trabalho está bom. Fica só com a sua própria voz, e essa voz nem sempre está do seu lado.

Por isso convém ter algo escrito e fora da sua cabeça: uma lista de trabalhos entregues, de mensagens de clientes satisfeitos, de problemas que resolveu. Não é vaidade. É material de consulta para os dias em que a memória decide ser parcial.

Deus já disse o que tinha a dizer sobre o seu valor. A sua tarefa não é provar isso outra vez a cada manhã. É não entrar na discussão.

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