O que a ostentação nas redes esconde, segundo Provérbios 12:9
Fé

O que a ostentação nas redes esconde, segundo Provérbios 12:9

"Provérbios 12:9 compara quem se estima em pouco e tem sustento com quem se vangloria e passa necessidade. Uma leitura do feed à luz desse contraste."

Abra o feed agora. Parece que todos estão a viajar, a comprar, a conquistar alguma coisa nova. E quem está do outro lado do ecrã fica com a sensação de estar atrasado na vida.

O que a ostentação nas redes esconde, segundo Provérbios 12:9

Provérbios 12:9 fala exactamente disto, escrito muito antes de existir internet: "Melhor é o que se estima em pouco e tem servos do que o que se vangloria e tem falta de pão."

O contraste que o provérbio desenha

De um lado, uma pessoa que se estima em pouco. Não se exibe, não precisa de provar nada a ninguém, e tem o sustento garantido.

Do outro lado, uma pessoa que se vangloria, mostra estatuto, cria aparência de sucesso, e por trás disso tem falta de pão. O básico em falta, escondido atrás da encenação.

O provérbio não condena ter bens. Condena a troca: sacrificar o sustento real pela aparência de o ter.

O que o feed não mostra

Quando se olha de perto a vida de quem ostenta nas redes sociais, encontra-se muitas vezes o oposto do que a imagem sugere: dívida, ansiedade, uma vida cheia de instabilidade por trás do carro novo ou da viagem publicada.

Em Angola isto tem um contraste muito concreto. Há pessoas trabalhadoras que não têm mansão nem carro de luxo, mas têm um salário estável, uma casa própria, talvez até uma empregada doméstica. Pelo critério deste provérbio, essa é a posição melhor. Mas ao verem o feed de quem ostenta e aparentemente nada tem por trás, acabam a sentir-se atrasadas.

É uma comparação feita com a parte errada da realidade do outro: compara-se a sua vida inteira com a montagem que alguém decidiu publicar.

O mesmo padrão no trabalho

Este contraste não fica só nas redes pessoais. Aparece também entre marcas e profissionais.

Há quem construa um portefólio inteiro feito de maquetas e projectos fictícios, com uma apresentação impecável e nenhum cliente real por trás. E há quem tenha poucos trabalhos publicados, mas cada um deles resultado de um cliente satisfeito, pago, com histórico verificável.

Quem contrata com cuidado acaba por notar a diferença, mesmo quando a primeira impressão favorece a montagem. Um portefólio pequeno e verdadeiro vale mais do que um grande e vazio, pela mesma razão do provérbio: sustento real contra aparência sem fundo.

Isto também se aplica a quem está a construir a própria marca agora. É tentador publicar um número de seguidores comprado, um resultado exagerado, uma régua de preços mais alta do que o trabalho sustenta, só para parecer maior do que é. O custo aparece mais tarde, quando um cliente pede prova e não há nada por trás.

Um exercício para esta semana

  • Escreva três coisas que tem hoje e que, para outra pessoa, seriam a resposta a uma oração: um emprego, uma casa, uma refeição garantida.
  • Da próxima vez que vir alguém a ostentar algo nas redes, repare no que não está a ver: o custo, a dívida, o vazio que a imagem não mostra.
  • Agradeça em concreto por uma coisa que já tem, em vez de desejar em abstracto uma coisa que não tem.

O que fica

A Bíblia diz ainda, noutro provérbio, que a bênção do Senhor traz riqueza e não lhe acrescenta tristeza (Provérbios 10:22). A riqueza que vem de Deus não pede uma encenação para se sustentar.

Fazer as pazes com o que se tem não é resignação. É a única posição a partir da qual se constrói alguma coisa que dura, em vez de se gastar energia a competir com uma montagem que nunca foi real.

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